Por: Roger
Grupo Cultural e Desportivo de Paços
«Quem
tem pressa pouco vê e pouco sente»
Chega o fim da
temporada e todos os clubes já estão a pensar no futuro. Para competir é
preciso ter atletas, por isso, uns tentam segurar os seus atletas, outros
tentam atrair os atletas dos outros. Será isto o futuro do futebol? Aproveitar
o trabalho dos outros iludindo crianças. Não estou contra a ideia que os
jogadores devem evoluir. Mas esta evolução não se deve limitar ao futebol,
temos de cuidar do desenvolvimento integral das crianças: físico, intelectual e
moral. Já não estou surpreendido com o discurso das ditas escolinhas quando vão
atrás dos bons jogadores das nossas pequenas equipas, porque é sempre o mesmo: «tens
futuro no futebol, no nosso clube vais ver, vais conseguir» e muitas crianças e
pais deixam-se enganar. Nunca nenhuma escolinha veio ter comigo para me dizer «temos
uma boa escola de formação podemos ficar com os jogadores mais fracos e daqui a
2 anos devolvemo-los mais fortes». Isto é que seria ser formação; pôr o futebol
ao serviço da criança e não a criança ao serviço do futebol! Um bom professor
não é aquele que ensina só os bons alunos, gabando-se de ter bons resultados, mas
sim aquele que consegue acompanhar todos os meninos que lhe são confiados,
sabendo motiva-los dando-lhes a mão para eles progredirem. Outra realidade que
me faz sorrir, nunca nenhuma escolinha disse a um dos meus atletas «anda jogar
para nós que aqui também tratamos da tua inteligência». Até parece que os meninos
só têm pés!
Não devemos ver os
meninos unicamente através do futebol. Formar jogadores vai para além do ensino
técnico-tático do jogo. Importa aprender através do futebol a ler e entender o
mundo e a exercer a cidadania. O que exige mestres da educação e do saber e não
Misters da ignorância e da rotina, (Miguel Ribeiro Moita, a formação do jovem
desportista, Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, 2008). Os adultos
responsáveis dos clubes devem pensar o futebol de forma racional e paciente, respeitando
o trabalho dos outros e uma certa deontologia. Por terem equipas federadas não
lhes dá nenhum direito sobre as pequenas equipas. Pelo contrário, obriga-lhes a
pensar ainda mais no processo de formação dos atletas. Não digo que todos os
treinadores devem ser doutores, formados em Ciências da Educação, mas ninguém
pode querer saber só de futebol. O que é verdade para os meninos é também
verdade para nós dirigentes de clube. Para decidir é preciso saber; para saber
é preciso formar-se e querer aprender. Ser treinador dos escalões de formação é
exigente. Uma coisa é conhecer as regras do jogo e alguns esquemas de jogo,
outra coisa é pensar no que estamos realmente a fazer. Jogar futebol não é
brincar com os meninos.
Por isso, quando um responsável
de outra equipa tenciona “contratar” um atleta primeiro tem de falar com o seu
treinador. Quem melhor do que um treinador atento aos “seus meninos” pode
conhecer a situação de cada um deles e assim conseguir orienta-los melhor,
tendo por objetivo o crescimento das crianças e não só os resultados
desportivos da equipa. Depois não deve enganar os meninos com falsas promessas
que vão destabilizá-los a nível psicológico, pensando que o futuro é o futebol,
deixando a escola de lado. Outro estudo universitário: A formação do jogador de futebol e sua relação
com a escola, Prof. Ms. Otávio Nogueira Balzano, Jannaina Sousa Morais, UFC/IEFES/NEPEC Brasil, mostra que
«a permanência na escola dos jovens atletas futebolistas vem diminuindo
cada vez mais no decorrer dos anos. Muitos meninos sonham em ter um futuro
brilhante no futebol, e com o mesmo uma ascensão financeira, contudo após
ingressarem em uma equipa de futebol, visando uma oportunidade de crescimento,
muitas vezes acabam abandonando os estudos, e não chegam a concluir o ensino
médio» e «é evidente que a
dedicação aos estudos permite uma maior possibilidade de ocupação na vida
adulta, mas sua recompensa está longe do imediatismo de muitos jovens». Também
deixa aos responsáveis de equipas algumas dicas em particular lembra que «os
clubes de futebol têm a obrigação social irrefutável de exigir dos seus atletas
não só a frequência, mas o bom aproveitamento escolar. Estes devem deixar claro
que, só joga quem estuda».
Captações não deve ser sinónimo de
ilusionismo e de negócio. O centro das nossas atenções deve ser a criança como
pessoa em desenvolvimento.
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